Cannabis medicinal: Defensores lutam para legalizar o cultivo na Argentina

Um município de 8.000 habitantes, situado a 500 km de Buenos Aires, pretende se tornar o primeiro em todo o país a plantar maconha para fins medicinais. As informações são do RT.

Depois que o Uruguai se tornou o primeiro país do mundo que oficialmente vende Cannabis nas farmácias, na Argentina ganhou força o debate sobre a plantação do produto com fins medicinais. General La Madrid, um povoado de aproximadamente 8.000 pessoas, situado a 500 km de Buenos Aires, pretende ser a primeira localidade a obter a permissão para o cultivo.

Fonte de crescimento econômico

General La Madrid luta para se tornar a primeira cidade argentina a impulsionar a plantação de cannabis para fins medicinais, uma ideia que tem o aval unânime das autoridades locais, mas que tem provocado o debate no Congresso

O prefeito da cidade, Martín Randazzo, afirma que a iniciativa encaminhada a investigação e cuidados paliativos pode ser uma fonte de trabalho para toda a região. “Se isso começar a se desenvolver, e cremos que está evoluindo do ponto de vista legal, sabemos que o teto pode ser altíssimo e não ter limites”, ressalta.

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“Mudou por completo nossas vidas”

O senado argentino autorizou em março deste ano a importação de óleo de cânhamo e outros derivados para aqueles que se inscreveram em um registro de pacientes. Porém, manteve a proibição do autocultivo da planta, apesar de reclamações por parte dos usuários.

Carlos Isaguer, um habitante local que padece de câncer e usa óleo de cannabis, destaca que a chegada da maconha medicinal melhorou sua saúde e contribuiu ao bem-estar de seus familiares. “Nós éramos muito ignorantes com relação ao tema e não conhecíamos nada e há 2 anos mudou por completo nossas vidas”, assegura sua esposa, Patricia Aisaguer.

A iniciativa surgiu depois dos estudos do médico Marcelo Morante, oriundo de General La Madrid. Após investigações no exterior e experimentos com animais, o doutor concluiu que, mesmo com o debate científico ainda não concluído, o uso medicinal desta droga pode ajudar no tratamento de algumas enfermidades, como o lúpus. “No âmbito dos cuidados paliativos, nós usamos drogas com muita toxicidade, como são os opiáceos, e a cannabis tem um grande mérito: a baixa toxicidade“, frisa.

Maconha: um perigoso cavalo de troia?

Outros especialistas da medicina mantêm uma opinião distinta e afirmam que é perigoso legalizar a cannabis com fins terapêuticos. Afirmam que pode ser o primeiro passo para um uso indiscriminado desta substância. “Há algo assim como uma espécie de cavalo de troia, por trás do qual vêm todos que querem fumar e a maconha fumada é muito prejudicial”, opina Eduado Kalina, diretor do Instituto Brain Center (Argentina).

6 agosto, 2017